DAS COLMEIAS PARA NOSSA MESA: O MEL E SEUS BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE

O mel é um líquido viscoso produzido pelas abelhas a partir do néctar das plantas e processado pelas suas enzimas digestivas. É armazenado em favos nas colmeias para servir de alimento para as abelhas trabalhadoras. Há muito tempo é reconhecido por suas propriedades terapêuticas. Os tipos de mel variam de acordo com a planta de onde é retirado o néctar, assim como da localização geográfica das plantas e do tipo de abelha produtora.

Devido à variação da origem do mel, há diferenças na aparência, percepção sensorial e na composição. Seus principais constituintes são carboidratos, principalmente frutose e glicose, mas também mais 25 diferentes polissacarídeos. Contém conteúdos menores de proteínas, enzimas, aminoácidos, minerais, vitaminas, compostos aromáticos e polifenóis, que são antioxidantes. Os minerais mais presentes são: potássio, cálcio, fósforo, sódio, magnésio, selênio, ferro, manganês e cobre. Já as vitaminas que mais aparecem são as C, B2, B3, B5, B6 e ácido fólico.

Por ser rico em carboidrato, seu índice glicêmico varia de 32 a 85 (médio a alto), dependendo da fonte. A carga glicêmica (parâmetro que leva em consideração o tamanho da porção) e o índice insulinêmico do mel dependem do seu conteúdo de frutose. Porém, esses parâmetros ainda são menores dos encontrados no açúcar branco, a sacarose. 

Possui ação anti-inflamatória e promove regeneração de tecidos em casos de cortes, machucados e queimaduras, acelerando o processo de cicatrização. Essa última função parece estar relacionada à presença de peróxido de hidrogênio. Devido ao seu conteúdo de oligossacarídeos, possui propriedades prebióticas, ou seja, serve de substrato para as bactérias benéficas do intestino. Foi mostrado, em um estudo, que seu consumo aumenta a população intestinal de bifidobactéria e lactobacilos, provavelmente devido ao seu conteúdo de frutooligossacarídeos, um tipo de prebiótico.

Outra ação seria na regulação da alergia contra o pólen. Por conter fragmentos do pólen, seu consumo por pessoas alérgicas poderia agir na dessensibilização, diminuindo as crises alérgicas.

O uso tópico do mel tem ação antimicrobiana, estimula a cicatrização de feridas e a atividade anti-inflamatória que diminui dor, edema e produção de exsudato. Por este motivo, é muito utilizado em “pé diabético”, principalmente em países em desenvolvimento, com ação semelhante à da insulina. Porém, a sua aplicação tópica deve sempre ser indicada por um profissional capacitado.

Um trabalho de revisão mostra que para obtermos os benefícios do mel para a saúde, devemos consumi-lo em doses maiores de 50 a 80g por vez. Porém, seu uso deve ser moderado e não deve ser consumido por crianças com idade inferior a 1 ano, em função do risco de contaminação pela bactéria chamada Clostridium botulinum, que causa o botulismo. O sistema imunológico das crianças nessa idade ainda não consegue se defender deste microrganismo. Assim, há muitos benefícios que podemos aproveitar do consumo deste produto que as abelhas fazem com tanto empenho.

*Texto elaborado pela Dra. Camila Gomes Komatsu, aluna bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

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